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Papel Picado — Eu não sou poeta

Rasguei pela manhã meus poemas, voaram fagulhas de papel pelo ar, respirei a fotossíntese dos meus problemas, suspirei meu sentimento que estava a voar. A foto, síntese das letras, formam grafemas, perguntas questionam dilemas que nos proíbem de questionar. Transformei em arte o sopro da vida, criei personagens, lugares, comida. Transfusarei meu sangue vermelho ao oxigênio, parafraseei linhas que jamais serão lidas, parafusei parafusos confusos que usei. Tentarei no próximo milênio, as mesmas linhas que já usei. Fiz chover papel picado , relato de um coração destroçado. Fiz chover lágrimas de um olhar carregado, fruto caído de um pé cortado. Antigo, amassado. Tudo que havia passado. Hoje faço. Rasgo aquilo que posso, mas nunca esqueço. Digo que nunca quis isso, enquanto choro e soluço. Tento colher mas tá tudo escasso, às vezes rezo o pai nosso, pago até aquilo que não sei o preço, flerto com o compromisso e com o inverno russo. Vento, Ventania , leva-me tudo que escrevo, traga-me de v...

Sol em Brasa, Tempestade Rara — Sabrina Gomes

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E eu te espero, amor, Com a calma de quem sente demais. Conto os dias, os ventos, os silêncios, Para que eu possa te sentir Para enfim te ter não só em pensamento, Mas nos braços  Onde o amor toma forma e morada. Meu corpo, Fiel ao desejo, Anseia seu toque como terra seca implora por chuva. E eu sigo aqui, Esperando seu beijo acender as brasas adormecidas no meu peito, Esperando seu amor Como se o tempo fosse ponte e você, meu destino. E eu te espero, amor, Com a alma inquieta e os olhos no tempo. A noite tem fome das estrelas, Meu corpo clama por você, Sua ausência arde como chama contida em pele fria. E eu sigo esperando, Na esperança de um momento Em que o fogo do seu beijo finalmente venha aquecer meu coração que sempre irá te chamar Lecrivain.sabrina

Amor roxo - Melissa Claremont.

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  Querido diário, Quero dedicar esta página para o amor da minha vida,  Álvaro, isto é para você.  Nós nos conhecemos quando tínhamos apenas dezenove anos, e no exato momento que nossos olhos se encontraram eu já sabia que tinha me apaixonado por você.  Que você pegaria o meu coração.  Eu agradeço a Díos todos os dias por ter você, em todos os momentos, nós vivemos tantas coisas, o seu amor sempre foi o que me deu forças para continuar.  Mesmo quando não tínhamos muitas coisas, mesmo quando não tínhamos dinheiro, sempre estávamos juntos, cumpríamos todos os dias os nossos votos de casamento e as coisas que prometemos no altar, que estaríamos juntos na alegria e na tristeza, na saúde e na doença e em todos os dias de nossas vidas, até que a morte nos separe.  Obrigada por cuidar de mim, por sempre estar quando eu precisava.  Nós estávamos juntos em todos os momentos, no nascimento de nosso filho, na compra do Andrômeda e principalmente nos momentos...

Um Universo Inteiro — D.C Melo

 Talvez as pessoas olhem tanto para o céu, não porque estejam tentando escapar da Terra, mas porque carregam dentro de si um universo inteiro que ninguém consegue ver.  As estrelas têm esse jeito curioso de conversar com corações cansados. Elas brilham de longe, atravessando a escuridão sem pedir permissão, como se quisessem lembrar que a luz não desaparece só porque a noite chegou. A lua, por sua vez, nunca exige perfeição. Ela muda, cresce, mingua, desaparece por um tempo e ainda assim continua sendo linda. Talvez por isso ela seja tão fácil de amar para quem já passou por tantas fases e precisou se reconstruir mais vezes do que gostaria.  O universo é imenso, quase impossível de compreender. E, ainda assim, existe algo reconfortante em saber que fazemos parte dele. Quando o coração já sentiu demais, quando as perdas deixaram marcas e os sonhos parecem ter ficado espalhados pelo caminho, olhar para o céu pode ser uma forma silenciosa de lembrar que ainda existe espaço p...

Uma História MaLucca — Capítulo 2 — Heloísa Consone

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  Lucca Moretti Giordani    E daí que ela queria saber, sei que ela quer me ajudar, mas não se vira pra alguém e fala que está com dor abdominal! Isso é vergonhoso e claramente inadequado.    Eu não estou com nada além disso, é coisa boba, vai passar.    Não estou querendo comer e to meio enjoado, mas acho que tem tudo haver com o que estou passando. Engraçado, nunca fui de ter esse tipo de problema, agora? Minha barriga está até dura, eu me sinto uma grávida!    Estou desde a madrugada com dor e só está aumentando, mesmo que eu tenha tomado buscopan e a pouco, minha cabeça também começou a doer.    Eu tive uma ideia, ela iria me ajudar e eu não precisava dizer tudo isso a ela. Eu não havia tentado isso, como não pensei?!  —Maria, a gente tem chá em casa?  —Se temos chá? —Assenti. —Tem, quer um chá?  —Quero. —Assenti. —Acho que vai me ajudar.  —Tá bem, vou fazer pra você.  —Valeu....

Limites para amar — Talita Vieira

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Prólogo “ Miserável homem que sou! Quem me libertará deste corpo sujeito à morte?” (Romanos 7:24)  O apartamento trazia à tona lembranças difíceis de encarar. Os pensamentos em torno da palavra divórcio, despertando assim a velha Lisandra. Ela precisava novamente ter o poder, o controle, a confirmação de que ainda podia desarmar o homem que agora falava em missões e em "uma tal de Fernanda". Ela não podia perder. Ela não queria perder. Ela não iria perdê-lo.  — José Pedro… (o sussurro dela foi um laço)— Você sentiu minha falta?  A batalha nos olhos dele era visível. A razão gritava "não", mas a memória da pele gritava mais alto. A santidade que ele buscava parecia uma armadura pesada demais para aquele momento de fragilidade.  E quando ele sussurrou "por favor", não era um pedido de pare. Era um lamento de quem já estava entregue. Aquela noite foi um reencontro puramente físico que buscava no calor do corpo um alívio para o frio da alma. Foi uma vitória am...

Primordial — Capítulo 4 — Tribalcilinder

Entre o Vinho e a Ansiedade O ponteiro do relógio parecia mais lento… as horas não passavam. Eu só queria chegar logo no hotel… não conseguia pensar em mais nada  Desci a escadaria do hotel rapidamente… parecia maior que o normal.  “Preciso me acalmar.” O vento batia no rosto enquanto eu curtia o caminho nada convencional em direção ao restaurante Il Comandante. Será que ela tá hospedada lá? Se tiver, ela subiu muito da vida. Depois de tanto tempo, porque só agora ela voltou? A cada quarteirão uma dúvida surgia em minha mente. Ao chegar, parei diante da fachada do hotel. A construção imponente, iluminada pelas luzes suaves da noite de lua cheia, chamava atenção... mas naquele momento, meu olhar estava fixo na porta, aguardando a chance de ver Anna.  O restaurante fica no último andar, com elevador próprio para clientes.  Até porque era um dos principais Rooftoop da cidade. “Boa noite, tudo bom? Suas chaves por gentileza.” “Aah sim… às chaves, tá aqui.” Não tô acostum...

Uma História MaLucca — Capítulo 1 — Heloísa Consone

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  Malu Cavalcanti    Talvez pareça maluquice, onde já se viu morar junto com o próprio amigo de infância?! Filho de seu padrinho que é amigo de seu pai desde que eram crianças e cujo seu pai é padrinho dele?!   Porque é exatamente isso que eu fiz a meses.    Não houve necessidade alguma de protesto a favor, até porque tanto eu quanto Lucca achamos isso uma completa maluquice, nossos pais acharam genial! Eles que pensaram nisso!   É, ninguém mandou os dois cdfs conseguirem a proeza de passar na Universidade Federal do Buenos Aires. Eu nem sabia que ele havia prestado para cá, mas faz sentido se levarmos em conta que ambos de nós sempre tivemos o sonho de estudar fora do país. Não sei, só sempre quis viver um pouquinho num lugar diferente.    E confesso que apesar de ter sido maluquice nossos pais terem tido uma ideia tão maluca de nos falar para morar no mesmo apartamento eu estou gostando disso.    Eles...

Trechos — Thamy_Mor

Fragmento n° 02 [...] O cheiro de folhas e grama voltou antes de qualquer memória, tomando meu olfato aos poucos até forçar meus olhos a abrir. Ergui a mão poucos centímetros à frente do rosto, lutando para manter o foco enquanto até o menor feixe de luz queimava. Demorei alguns segundos para me adaptar ao fim de tarde. O céu brilhava em tons rosados, bonito demais para confiar. Minha visão oscilou por um instante. A dor veio inteira, sem aviso. Rolei no chão, prendendo o grito, até encontrar meu pulso esquerdo. Não havia sangue, nem sinal de luta. Ainda assim, cortes profundos e irregulares rasgavam o dorso da minha mão, avançando até as unhas do polegar, indicador, médio e mindinho. O ferimento não era superficial, garras teriam feito aquilo… se partissem de dentro. Travei o maxilar ao ouvir um ruído agudo e insistente surgir às minhas costas. No bolso traseiro, meu celular vibrava sem parar, revivendo o pesadelo que se colou em mim. Na tela, um número desconhecido pulsava, implorand...

Moléculas — Ana Bia S. Silva

Um universo de moléculas e uma molécula no universo. Sons feitos por mim, giram em torno de meus pensamentos. Enquanto o universo segue imenso. No ruído do mundo minha voz se perde. Mas quando estou em minha própria companhia, percebo que até o menor som pode carregar a imensidão da alma. E mesmo sendo só uma molécula no meio de muitas obras. Eu ainda vibro. Eu ainda existo.                                                 Ana Bia S.Silva